26.10.09

A minha memória (leia-se aqui as lembranças da minha vida) é uma das coisas que mais tem valor pra mim.
Quando eu era criança, ia muito à casa da minha avó Idalete. Tenho lembranças maravilhosas dessa fase, da casa dela, da família toda, que sempre me fez sentir MUITO amada. São tantas as histórias, tantas as coisas bonitas que fizeram por mim, que nem dá pra falar. Mas sempre que eu visito a vó Idalete, a gente se lembra de alguma coisa – como as cantorias dentro do fusca do vô Luiz, os laços que a Sarita (tia, mas nunca usamos o 'tia' à frente do nome dela) fazia nos meus cabelos, as danças da Xuxa com a tia Vanilde na sala da casa, as festas de comunhão, a piscina da Turma da Mônica, os potes de massa de bolo que nós crianças disputávamos para lamber as sobras (e ela, bem sabiamente, chamava só um por vez, em segredo, para que pudesse lamber o pote sozinho) e a hortinha, na frente da casa, com suculentos moranguinhos que eu amava, colhia e comia.
Aquela casa da minha infância não existe mais (só na memória), meus avós construíram uma casa nova no lugar da antiga. Pois bem, minha amada vó Idalete acabou de me ligar (ela mora em Brusque, onde morei durante minha infância) para compartilhar comigo uma coisa muito especial: o vô Luiz fez uma nova horta e plantou morangos. E ela, ao telefone, me disse que os moranguinhos começaram a brotar. São ainda bem pequenininhos, mas a vó queria que tu fosse a primeira a saber.
Tô aqui escrevendo, com lágrimas nos olhos (de feliz, vó!), porque esse tipo de coisa, a lembrança dela, o cuidado com a memória, a preocupação em me contar, é tão importante e bonito pra mim que nem sei dizer.
Obrigada, vó. Por ter me dado tantas lembranças bonitas e por continuar alimentando-as – com tanto e sincero amor.



15.10.09

Que uso faria da palavra, hoje? Queria vestir poesia como roupa fresca. Queria combinar palavras e cores, tom sobre tom – o tom de sua saia; o tom de sua narrativa.
Queria páginas e páginas em branco para colori-las de perfume azul.
Queria uma biblioteca inteira de amores bem vividos, de beijos guardados (jamais esquecidos), de toques e carinhos e olhares furtivos que eram só seus, tesouro de uma vida feliz.
Queria escrever, em areia e nuvem, sobre um sorriso que não lhe saía da memória, mas não encontrava a palavra, não encontrava o tom, e sonhava com o dia em que escreveria poesia e acalanto.
O sorriso ou os olhos? Do que gostava mais? Nem sabia e não importava. Era carne e era força oculta em delicadeza e gestos gentis.
Era poesia ainda não lida.
– a desvendar.


1.10.09

O peito aquietou-se. No correr de dias mansos, a espera – já não aflita. As dúvidas de volta, sempre à volta, mas sem machucar.
Sem doer sou eu seguindo os dias, bordando sonhos na barra da saia que balança ao vento. Na saia que conta o tempo, calendário de mim.
Vermelho nas unhas, nos sonhos, no sangue.
Leveza, chuva que não incomoda. Durmo bem, acordo cansada, acumulo leituras e preguiças minhas.
Sorrio. É meu trunfo.


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